Deu-me. Não sei que se passou, não foi por ninguém nem por nada... É como se a minha própria garganta se fechasse e apenas as pernas quisessem andar dali, para onde pudesse correr, gritar se preciso. Sem ninguém. Sem nada nem apoio.Não gritei. Não fui capaz. Não era para casa que queria ir, só uma casa que estivesse à minha espera. Não me faço entender.
Não é carência nem afecto. É algo mais. É falta de poesia, de sentir. É uma barreira tão grande, criada por mim, que nem eu sou capaz de a destruir com força como se de um texto de tratasse. Sou eu.
Não era companhia, mesmo que fosse igual a mim. Não era a multidão. Não foi um filme. Foi um momento que durou um dia. E quando não consegui, quis andar. Andar pouco com termo certo, mas fingir que ia a voar, sem sentir os pés.
E, no fundo, só quero dar esta explicação a mim. Pedir-me desculpa por ainda sentir que não quero andar às costas. Por ainda sentir, simplesmente. Mas agora...não falo. Limito-me a ficar apagada e deixar a alegria que todos falam num alçapão fundo. Fundo...como eu sou e só eu sei.



