Tudo o que faço me lembra de ti. Estar com a família, um simples doce que gostavas, tranças no cabelo (que nunca mais fiz)... Ainda te amo muito Zuzu. As tuas mãos finas e macias, o teu andar de ladinho, a madeixa de cabelo branco e sempre despenteado.
E são textos escondidos que nunca ninguém leu. São desejos que partas ou que assuma que não voltas mais. São andares em passo de corrida para fugir das tuas fotos. São palavras tão estúpidas para dizer tanto. Fazes-me falta sabias? Como é que me puderam fazer isto? Eu não sirvo só para os outros, não quero ser só tua, quero sonhar contigo, mas não dias a fio.
E a música, lembras-te? Quando ouvia-mos juntas os cds, quando te falava de monstros nas sombras das persianas, quando me deitava na tua barriga, e tiravas fotos de mim como ninguém. Eras analfabeta e tão inteligente. Fazias hoje 79 anos, que estaria eu a fazer contigo hoje? Será que tinha-mos ido comer croissants à foz? Acho que deveria-mos ter ido às compras para o almoço gigante de sábado. E lá ia eu dar-te meias e camisolas e tu ralhar-me para por a cara bonita, cara essa que dizias linda, sempre tão bem arranjada. Meu Deus avó... já são 3 anos, foram três as partidas, mas são mais que três os momentos diários em que penso em ti.
Eu nunca te vou deixar esquecida... Parabéns Zuzu linda, que estejas num lugar de luz.
terça-feira, 3 de junho de 2008
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