segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Ponto de canto!

Estava ela segura e serena no seu cor-de-rosa a um canto do café. Consumia coisas ilustres no seu alto saber divino. Notava-se que esperava por alguém. Olhava no nada em busca de algo que mostrasse o seu estilo esbelto.
No peito trazia a falta de ar. Nos olhos o carinho de seres pequenos e mágicos.
Pensava em ler algo belo. Em absorver alguém. Queria ser amada pelos estranhos. Mas sentia que não estava ali, naquele café que parece uma sala de hotel.
Sentia apenas o aroma a chá verde. A pele macia nunca devidamente tocada. O caracol no cabelo, pousado sobre o seu ombro. Imaginava que tinha uns olhos e uns lábios que gostava. Apreciaria ser sempre como ela, recordando a mulher do autocarro que se despiu ficando em beleza de porcelana. A porcelana que ela odeia.
Pensei, por momentos, em me levantar e sair gritando algo estranho para o meio do transito. Senti uma agonia.
Afinal era eu, como sou, mas não como me vêem...

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